As pessoas adoram competir, não é mesmo? O mundo capitalista e cada vez mais individualista nos faz criar hábitos de competitividade, mostrando força e malandragem, para nos sentirmos bem em relação aos outros.
Mas existem coisas que não adianta competir, pois você vai perder. Minha mãe, por exemplo, escolhe mixirica na feira como ninguém. Sempre docinha e suculenta. Se foi meu pai quem comprou as mixiricas, eu nem me arrisco a comer. Mas por um outro lado, não tem como competir com meu pai na hora de comprar ou vender carros. Ele sempre vende por um preço acima do que ele pagou. Eu não sei como ele faz isso.
Recentemente minha mãe contratou uma nova faxineira, e acreditem ou não, ela já chegou entrando no clima da competição. Ninguém no mundo saberia esconder melhor o abridor de latas. E não adianta procurar, pois sempre que você procura algo, você conta com uma certa lógica e nexo de onde poderia estar o tal objeto, e dessa forma só irá se distanciar dos locais que a Nadir escolheria para colocá-lo. Ai que saudade da Romilda. Aquilo sim era uma mulher completa. Ela colocava tudo sempre na mesma gaveta. É igual brincar de esconde-esconde com minha sobrinha. Ela sempre está atrás da porta. Sempre.
Existe uma pracinha na Vila Nova Conceição, onde ocorre uma competição informal de cães. As dondocas desfilam com seus animais que acabaram de sair do Pet Shop, e fazem cara de que o meu é mais bonito do que o seu. Tipo o que a gente faz com nossas namoradas produzidas num casamento sabe? Odeio perder nessa competição.
Mas por falar em cachorro, meu pai achou o Shiva na rua, largado numa caixa de sapato e resolveu trazê-lo para casa. Hoje ele é literalmente uma pedra em seu sapato. O bichinho é o verdadeiro vira-lata que come tudo, mija em tudo, trepa em tudo. Mais uma vez, parece a gente com nossas namoradas.
O problema é que quando meu pai pegou o Shiva, ele já era um vira-lata feio, sapeca e mal intencionado. Imagine agora, eu querer levá-lo num Pet Shop aqui de Carapicuíba, e competir com as dondocas da Vila Nova Conceição achando que ele virou um Poodle… Não tem nexo. Seria o mesmo que guardar um abridor de latas dentro de uma lata de sorvete vazia, né dona Nadir?
Então por que será que as pessoas fazem isso com seus parceiros? Conhecem e se envolvem com eles quando eram barrigudinhos, bêbados, mal intencionados e sem foco perdidos no bar de uma balada. Imediatamente que começam a namorar, esperam que se tornem amáveis como um labrador de filmes, elegantes como um Yorkshire, e engraçados como um Beagle.
Eu gosto do Shiva assim. Eu conheci o Shiva assim. Acolhi o Shiva assim. Acho mais fácil, invés de competir com as dondocas da praça, apenas aceitar meu cãozinho como ele é: um vira-lata mal intencionado.
Sugiro que você faça isso com seu parceiro e seja feliz. Mas se você ainda quer competir e tem um casamento em breve… Leve-o ao cabeleireiro, dê-lhe um belo banho, e prometa a ele que se ele se comportar direitinho durante a festa, não mijar em ninguém, nem vomitar na pista…
Você deixa ele brincar de cachorrinho chegando em casa.
Au! Au!

Não entendi a mensagem??
Isso certamene não foi aprendizado de reuniões de metafísica, né??
Brincadeira, adoro quando vc volta a escrever, vc fica mais engraçado, divertido e interessante…
Mas, o assunto importante, é: a reunião de metafísica…. agita, agita logo…. quero ir!!!
Bjs
Aeeee
Vou agitar sim!!! Mas vê se vai! rs
Beijão e obrigado