O que aconteceu?

2 set

Sabe quando você sabe, nós sabemos, vós sabeis e todos sabem que um cara da turma quer comer sua mina? Então… é uma merda isso, né? Antigamente, isso me dava “trimiliques”. Eu ficava com raivinha interna, querendo fazer justiça e ao mesmo tempo não conseguia fazer nada, a não ser morder os dentes e tremer os pés debaixo da mesa.

Depois que descobri que é possível virar uma chavinha dentro de mim para me livrar dessa sensação, minha vida mudou. Pois, não há nada que você possa fazer, e sua mulher não tem culpa de ser mais gostosa que a dele.

Eu sei que é meio estranho abraçar o cara e dizer: “Fala queridão, e as novidades? Já conseguiu atingir todos seus objetivos.” É meio desagradável, porque se o cara disser que sim, você vai se perguntar se sua mulher está no meio dessas conquistas. Se o cara disser que ainda não, vai parecer que ele está quase conseguindo. De um jeito ou de outro o papo fica meio azedo.

Mas quer saber, eu realmente passei dessa fase. Abraço o cara mesmo. Trato ele bem mesmo. E não fico me remoendo com o que não tenho controle. Afinal, o cara pensa igual a mim, tem os mesmos gostos que eu, e a única certeza que eu posso ter é que já atingi um objetivo que ele ainda está batalhando. Ou seja, no fundo esse cara não é meu inimigo. Ao contrário, ele tem total admiração por mim, quer fazer as mesmas coisas que eu, ir aos mesmos restaurantes, comer os mesmos pratos. Virando a tal chavinha, você se dá conta de que ele é uma puta companhia interessante.

O problema é que desejar a mina do cara seria sacanagem com a nossa mina, que não tem nada a ver com os desejos do amigão. Seria descontar na pessoa errada. E para piorar os caras sempre aparecem com umas baranguinhas, que não vale a pena nem por vingança. O cara tem que ser muito egoistinha, né? Fica lá todo serelepe querendo minha mulher, mas ao lado dele tem um caranguejo que sabe que ninguém vai querer roer.

Isso me lembra os caras que pediam um perfume importado de amigo secreto na escola, mas levavam uma agenda de presente na vez deles. Para enganar, embrulhavam num papel todo colorido. Igual ao vestido da namorada dele hoje em dia. Nem no carnaval seria atrativo. Brincadeira, no carnaval seria. Mas só no carnaval. Reveillon não.

Mas nesse momento vou dar um conselho. Se você tiver uma leve sensação de que o cara quer comer sua mina, é porque ele quer muito. Se você tiver muita sensação, é porque ele já tenta faz tempo, e todos sabem. Agora se sua mina assume que o cara dá em cima dela, sem você ter perguntado, aí você se deu mal amigão. Nesse caso, e somente nesse caso, ela já está arranjando um álibi inconsciente para algo que ela possa vir a fazer um dia. Tipo hoje.

Um amigo meu, uma vez, ouviu a pior frase que uma mulher pode dizer nessa situação. Juro que não foi comigo. Normalmente a gente usa o exemplo do “amigo meu” para tirar dúvidas de doenças venéreas ou “bizzarices” de nossas vidas, mas dessa vez foi um amigo mesmo. Ela chegou na maior tranqüilidade e disse: “Amor, aconteceu.” Essa frase é muito foda! Se a sua mulher dissesse “transei gostoso com seu amigo”, não seria tão ruim quanto ouvir “amor, aconteceu”. Na outra opção, pelo menos você ia gritar, chamar de vagabunda, dizer que odeia ela, que ela não tinha esse direito. Pausa para um comentário. Essa frase: “Você não tinhaaaa esse direitoooo” é muito legal. Eu me divirto quando as brigas chegam nessa frase. Parece meio que novela com religião… não sei explicar. Parece que alguém fez algo realmente errado e vai para o inferno.

Mas voltando ao “amor, aconteceu.” Nesse caso, parece que não havia nada no mundo que pudesse impedir essa transa avulsa de sua mulher com seu amigo. Parece que mesmo que você trancasse-a com um cinto de castidade, ela pagaria um boquete para o chaveiro arrombar a fechadura. As duas . Pausa de novo, para pedir desculpas a minha mãe pelo palavreado. Desculpa mãe.

Mas é serio. “Amor, aconteceu” é tão ruim, que você se sente na obrigação de pedir desculpas a ela, pela sua ausência naquele momento, e que a culpa foi sua por deixar ela ficar carente a ponto de querer transar com outro homem. E você não sabe se liga pro cara para perguntar se está tudo bem, se ele precisa de mais alguma coisa que você possa dar a ele. É foda.

Então se por um acaso, você estiver desconfiado de que alguém da turma quer comer sua mina, nada de ficar bravinho, nem olhar para a baranguinha dele. Foque em dar o máximo de atenção e carinho para a sua mulher, e esqueça o cinto de castidade. Se mesmo assim você ouvir “amor, aconteceu”…

Respire bem fundo. Prenda o ar por alguns segundos.

E agora solte com toda sua força: “Você não tinha esse direitooooo!”

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